Só uma fotografia na parede?

O Pantanal é o lugar mais bonito que já conheci. Cheguei ali em um fim de maio, para uma semana de aventura junto com o meu filho e um grande grupo de jipeiros de todos os cantos do país. Armamos nossa barraca à sombra de árvores, em clareiras próximas aos leitos dos rios, e mergulhamos na experiência pantaneira.

O canto (ou as trombetas) dos pássaros ao amanhecer é indescritível. A imensidão da natureza bruta nos imobiliza.

Nossa aventura foi mergulhar na vastidão dos alagados pantaneiros, em paragens onde a presença do homem é esporádica e circunstancial. Comer o café-quebra-torto às 5h da matina e seguir as rotas de antigas comitivas ao longo do dia. Dormir ao léu, temendo cobras e jacarés.

Pode ser que haja outros lugares mais impactantes no Brasil. Ainda sonho, por exemplo, com uma imersão na sabedoria dos kamayurás, no Parque Nacional do Xingu. Mas, pela sua diversidade de vida, o Pantanal me assombrou.

Ver este lugar arder em chamas doeu muito. E a desesperança tomou conta quando o presidente Cloroquina veio a público culpar índios e caboclos pelo fogo em nossas florestas. Hélcio Costa abordou esse assunto na última semana, citando o mestre Monteiro Lobato. Mas nunca é demais falar sobre os desastres ambientais em curso no Brasil.

Do Pantanal, em breve, nos restarão apenas lembranças de um paraíso perdido, como a lembrança do meu filho maravilhado com uma lagoa coalhada de jacarés.

Será sina? Em todos os cantos do Brasil, o progresso significa, desde sempre, a destruição da natureza. Quantas porções de cerrado nossa cidade (ou nossos campos) já cedeu à especulação imobiliária? Alguém tem ideia de como era bonita a região entre o DCTA e o Putim, como tantas vezes alertou o meu velho amigo e pesquisador do Inpe Paulo Roberto Martini?

Infelizmente, vozes como a de Martini, descobridor da nascente do Amazonas, serão cada vez mais abafadas pela marcha do cataclisma. Enquanto isso, nosso Inpe definha: para “acabar” com o desmatamento, acabe com quem monitora o fogo e o desmate.